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Segundo Adolfo Coelho, no clássico Questões
de Língua Portuguesa (Porto, 1874): copas, paus, espadas
e ouros referem-se às figuras que identificam os naipes do baralho
espanhol, que ainda hoje pode ser encontrado nas mãos habilidosas das
cartomantes e das ciganas. As cartas de copas trazem a figura de taças
(em cast., copa); as de paus trazem a figura de bastões ou cajados
(em cast., basto; comparem com o Port. bastão); as de ouros trazem a
figura de moedas de ouro; finalmente, as de espadas apresentam,
previsivelmente, a figura de gládios (ou espadas curtas).
Depois do Renascimento, contudo, começa
a difundir-se por toda a Europa o modelo de baralho francês, que hoje impera em
todos os cantos do planeta, com os naipes representados da forma que
conhecemos: "coeur" (como o nome diz, um coração);
"pique" (uma ponta de lança); "trèfle"
(um trevo); "carreau" (um quadrado, que passou
depois a losango). Quando as cartas francesas, muito mais práticas, entraram em
Portugal, os nossos antepassados, em vez de darem aos novos naipes o nome
correspondente do Francês, preferiram aplicar-lhes os nomes do baralho
espanhol, a que já estavam habituados. Por isso temos esse descoordeno entre o
nome e a figura: as copas já não têm taças, mas corações;
as espadas já não têm gládios, mas pontas de lança; os paus
já não têm mais bastões, mas trevos; os ouros já não têm moedas,
mas losangos.
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